Hoje a noite te vi sobrevoando a janela de meu quarto. Eu senti a sua presença enquanto tentava dormir. Meu coração ficou congelado ao sentir-lhe. Os ventos adentravam pela pequena fresta aberta da janela. Abri os olhos, e te vi sorrindo pra mim. Me perguntei: "Como você entrou?", e sem pestanejar, você me respondeu: "Foi você quem me chamou, e agora estou aqui!". Você deitou ao meu lado e me abraçando com as suas asas, deixou que o frio fosse embora, relaxei sorrindo percebendo que meus pensamentos entraram em órbita. Você se despediu e deixou uma pena de sua asa debaixo do meu trasseiro e disse-me: "Não se preocupe, você se sairá bem. Sua vida é simples e bela. Saiba que eu estarei sempre ao seu lado. Basta que me chames e aqui eu estarei a lhe proteger e lhe fortalecer." - "Que assim seja!" Você voltou para origem de onde veio, flutuou em nunvens, conversou com outros anjos, e seguiu me protegendo. Até o dia em que nos encontramos do outro lado. E eu o reconheci.
Você estava ali, bem perto de mim, olhando-me de uma forma diferente. Convidou-me para sair, sem ao menos se importar com o que os outros iriam dizer.
Você chegou em minha casa prontamente as oito da noite, dirigindo a sua BMW conversível, como havia combinado, até achei estranho, você nunca chega no horário marcado. Poderia ter te questionado naquele momento, mas preferi deixar como as coisas estavam, ou ao menos esquecer tudo.
Você estava simplesmente maravilhoso naquele dia, vestindo a sua jaqueta de couro Prada que tanto amo e que lhe deixa o cara mais lindo do mundo. Isso sim era bom gosto, sabia se vestir muito bem, com as peças sempre combinando umas com as outras.
Quando chegou em casa, abriu a porta do carro para que eu pudesse adentrá-lo, e assim irmos para o restaurante mais interessante da cidade no momento.
Ah! Antes que eu esqueça, você me trouxe jasmim em um lindo arranjo, com um bilhete maravilhoso: “Sempre estarei com você”, era o que dizia com as suas letras.
Você era galanteador, charmoso, sabia exatamente o que um cara como eu queria e gostava.
Fomos para o restaurante para comemorarmos o nosso compromisso assumido a dois anos atrás. E tudo passou tão rápido que nem me dei conta que já estávamos juntos a tanto tempo. Dois anos, hein! Pra quem não queria compromisso como você, dois anos é muito tempo. Conversamos sobre todos os assuntos que vinham em nossas mentes, riamos de nossos próprios defeitos e de todas as idiotices que fizemos juntos nesse período que estivemos juntos.
Conversávamos como se nada tivesse acontecido, como se estivemos sendo os mais sinceros e abertos um com o outro. Uns vinhos aqui e outros ali foram ingeridos ao longo de nossa conversa. Você estava muito tenso em alguns momentos, aparentava um nervosismo comum que o deixava ainda mais lindo do que nunca.
Você começou a gaguejar perante as palavras, e eu simplesmente dizendo que era apenas o vinho que havíamos tomado. Então, você tirou uma caixinha pequena, embrulhada muito delicadamente e entregou-me e disse-me: “Case-se comigo?”
Abaixou os olhos para as minhas mãos que estavam sobre a mesa mexendo nos talheres. Fiquem em choque por alguns minutos, você abrindo um sorriso mais lindo do mundo, olhando agora fixamente para os meus olhos, esperando a minha resposta imediata.
Eu até poderia te responder da melhor forma possível, mas não tive como esconder o que estava sentindo naquele momento, não poderia simplesmente esquecer tudo o que havia acontecido, não comigo, não pra mim.
Você levantou-se, pagou a conta e foi embora, e eu fiquei com a caixinha ainda embrulhada em cima da mesa, prestando atenção em seus movimentos indo em direção a porta de saída. O metrè entregou-lhe seu casaco, você o vestiu e foi embora. Não acreditando em minhas palavras, não acreditando na minha tristeza. Voce pensou que eu havia esquecido, deixado as coisas pra trás, mas infelizmente eu não consegui, não consegui deixar o passado pra trás, não esqueci.
Peguei o meu casado e fui embora, deixando pra trás a caixinha ainda embrulhada. E segue meu caminho. Deixando o meu passado com você naquela mesa, naquele restaurante maravilhoso. E tenho certeza que vou sentir saudades.
Eu fugi de você em 2005. E ainda estou a fugir. Tenho pequenas impressões diante do caminho que se descortina. Por muitas coisas passamos e ainda iremos passar. Logicamente meus olhos se enchem de lágrimas ao perceber isso, ao sentir nosso distanciamento, nossa separação. E foi assim, simples, como um dia de chuva, com as copas das arvores respingando gotículas em meu cabelo loiro. Eu sequer não consegui reclamar, não consegui dizer adeus, porque o adeus propriamente dito, não ocorreu. Simples atos, valem mais do que palavras escarradas.
Seria eu? Ou seria você?
Não importa mais, o importa agora é o que restou de nós, o que ficou, e o que se segue, porque o passado felizmente não volta, mas trás com a gente grande bagagem, vivemos grandes experiências. Agradeço por isso! E assim eu sigo a vida! A vida que me espere!
Você pode ser o que você quiser e fazer o que bem entender de sua vida.
O ponto é: “O Que você Pode Fazer?
Você pode fazer um monte de coisas, dentre elas especifico-as abaixo:
- Você pode deixar de conversar com os seus amigos, por diversos momentos, por diversos dias, por diversas vezes sem preocupar-se que eles querem falar com você;
- Você pode se trancar dentro do seu quarto, ligar o som no volume máximo, esquecer que tem vizinho, que a sua mãe sofre de pressão alta e que seu pai implica com você por tudo, isso você pode!
- Você pode marcar de sair com qualquer pessoa e simplesmente esquecer-se de ir, ou não ter tanta vontade assim de encontrá-los, isso você pode!
- Você pode xingar, de todas as formas imagináveis a quem quer que seja, mas saiba que quando você fala com raiva, serias conseqüências virão, mesmo tendo intimidade para isso, e mesmo todos sabendo que a raiva é um sentimento circunstancial, mesmo assim, esteja preparado; isso você pode!
- Você pode brincar diversas vezes, sobre diversos assuntos, de diversas formas, com diversas palavras, com diversas pessoas, mas tem que entender também que as vezes ninguém tolera as suas brincadeiras e fica de saco cheio só de ficar escutando você falar, isso você pode!
- Você pode também ficar na frente do computador, brincar de conversar com os outros, tentar fazer novas amizades, e simplesmente esquecer-se de tudo e todos, isso você também pode!
- Você pode mais ainda ficar o final de semana inteiro assistindo ótimos filmes, ficar grudado com os olhos na frente da tela da sua casa, fazendo apenas o exercício de levantar-se, trocar o DVD e colocar mais um novo filme, isso você pode!
- Você pode esquecer-se de ir a escola, de escovar os dentes, de tomar banho, enfim, você pode esquecer de viver! Isso você pode!
- Você pode também esquecer-se que as pessoas tem sentimentos, e tudo na vida não passa de um belo e lindo sonho, isso você pode, com certeza!
Agora, o que você não pode é não esquecer jamais que todos ao seu redor são seres humanos, e mesmo você não tolerando certas coisas e certas atitudes alheias, você não pode, dentro da sua infinita ignorância, é JULGÁ-LAS, seja de forma for, da maneira que for, tendo os princípios e valores que for, lembre-se cada SER HUMANO é ÚNICO, DIFERENTE, INEXPLICAVELMENTE SENSACIONAL.
E por ultimo, você pode e também deve mais ainda, AMAR, deixar cair as mascaras da inescrupulosidade de todas as façanhas medonhas que colocamos para tentarmos ser aquilo que não somos.
Agora, você pode simplesmente esquecer-se de tudo o que leu, e continuar a fazer as coisas da mesma forma que vem fazendo, NADA! E embora o peso da palavra esteja empregado em todas elas, tente esquecer por breves segundos tudo o que você vem passando e se pergunte: “O Que Eu Posso Fazer?” DECIDA por você mesmo, porque ninguém vai fazer isso por você!